COTAS

Written on 17:33 by Leonardo Rebés Augustin


(Reservar vagas para estudantes Negros, Indios ou Pobres resolve? Ou cria mais desigualdades?)

É sem dúvida o assunto do mês, as principais revistas semanais abordam o tema na capa, o Senado tenta aprovar um novo projeto de lei que segundo o próprio Ministro de Educação Fernando Haddad afirma ser mal redigido e confuso.
Certo é que no Brasil continua havendo racismo, e negros possuem acesso restrito às universidades e ao mercado de trabalho. São realidades de um país cheio de distorções graves. Porém será que a intervenção em cotas de ensino resolve nosso problema ou cria outros?
Defensores das cotas defendem que ao longo do tempo certas etnias foram injustiçadas e por causa dessa herança não há chance de chegar aos bancos escolares.
Por outro lado, há defensores de que as cotas só aumentam a discriminação entre etnias e não valorizam o real potencial de cada estudante.
Essa idéia de cotas não é nova, alguns países já adotaram esse sistema e na maioria não houve sucesso.
Nos EUA as cotas foram estabelecidas no governo Nixon, 20 anos pós Luther King. As cotas foram banidas pela Suprema Corte nos anos 70.
Na Malásia há mais de 30 anos possuem cotas para favorecer “malaios”, porém em 2004 o governo retomou o sistema de mérito.
Na África do Sul desde o fim do regime apartheid em 1990 negros são favorecidos, recentemente mais de 200 mil chineses conseguiram na justiça o mesmo direito.
Na Índia há mais de meio século os famosos “dalits” receberam o direito das cotas, de lá pra cá várias outras castas também foram incluídas. São comuns protestos violentos de outras castas pelo benefício.
Na Nigéria a etnia majoritária favorece a si mesma... bem democrática.....
Ruanda muitos conflitos entre “tútsis” e “hútos”, somando mais de 1 milhão de mortes só em 1994.
O que alguns especialistas afirmam é que existe a possibilidade de que conflitos raciais deste tipo, que nunca existiram no Brasil, aflorem. Dizer que as pessoas não são iguais, não seria o melhor caminho, estamos criando interesse de raça. Em 1940 20% dos brasileiros se consideravam pardos, em 2000, esse número subiu para 42%.

Na realidade, não podemos confundir diferenças raciais com diferenças sociais.
O governoo está investindo em formação superior mas esquece da educação básica. Em 2006 o governo investiu por aluno apenas R$ 1773,00 por aluno na educação básica, contra R$ 11820,00 por aluno na educação superior.
É nossa função cobrar uma melhor formação dos alunos, na educação básica para não termos tantas diferenças no ensino superior.
Na rede pública, em 2007, 15.984.892 alunos ingressaram no ensino fundamental 1; porém apenas 12.943.713 alunos chegaram ao ensino fundamental 2, o ensino médio recebeu 7.472.301 alunos, e 2.290.490 conseguiram entrar no ensino superior.
Ou seja, dos quase 16 milhões de alunos ingressantes no ensino fundamental, apenas 2 milhões chegam a universidade. Será que as cotas corrigem distorções?

Ensino Fundamental 1 – (1º a 4º série)
Ensino Fundamental 2 – (5º a 8º série)
Para seber mais leiam Época Nº 568

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